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 [PT] Hagiografia de São Jorge de Lydda

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Ana Catarina de Monforte
Condessa de Ourém
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Mensagens : 517
Data de inscrição : 16/02/2011
Localização : Condado de Ourém

MensagemAssunto: [PT] Hagiografia de São Jorge de Lydda   Qua Ago 01, 2012 7:58 pm



Hagiografia de São Jorge de Lydda



São Jorge de Lydda é o patrono da Cavalaria e das Gentes de Armas, simboliza o triunfo do Bem contra o Mal, a vitória da Fé sobre a Criatura sem nome, a força da Fé e da valentia.

O Delfinado Leonês, o Principado da Catalunha, o Reino de Inglaterra e o Reino de Portugal fizeram dele seu patrono.




I - Origem

Jorge nasceu por volta de 275 depois de Christos, em plena Era da Dispersão da Fé, na Província da Capadócia, no seio de uma família rica e de alta condição social. Com a morte do seu pai, apesar de na altura só ter dez anos de idade, a sua mãe, Polychronia, convertida à fé Aritotélica sem o conhecimento do esposo, levou Jorge para a Palestina, a sua terra natal. Ali, instruiu-o nas Virtudes da Razão ensinadas por Aristóteles, assim como na Fé e no Amor de Deus recomendado por Christos.

Jorge cresceu e tornou-se um homem jovem de bela aparência, espírito vivo e costumes refinados. Quando completou dezoito anos decidiu abraçar a carreira militar e alistou-se nos exércitos romanos, com o fim de defender a paz das terras romanas e dos seus habitantes. Rapidamente o seu valor se distinguiu entre os demais, e os seus superiores nomearam-no tribuno da guarda pretoriana. O próprio Imperador reconheceu a sua devoção e coragem e ascendeu-o à dignidade de prefeito.


II - Jorge e o "Dragão" de Beirute:

Quando Jorge regressava à Capadócia, depois de uma vitoriosa campanha na Mesopotâmia contra o rei persa Narses, atravessou uma região chamada Beirute, então assolada por um exército de saqueadores sanguinários e ímpios comandados por um homem cruel chamado Nahf cuja barbárie sem igual lhe havia valido o sobrenome de "Dragão", pois em fenício "Nahf" significava "serpente". Os saqueadores de Nahf estavam instalados nos pântanos vizinhos da cidade há vários anos e realizavam incursões contínuas na região, pilhando colheitas e roubando fazendas. Todos os que tentaram resistir-lhes viram os seus olhos arrancados por Nahf e pelos seus homens. Para se protegerem da devastação os habitantes decidiram oferecer todos os dias dois animais em tributo para apaziguar os saqueadores do Dragão. No entanto, chegou o dia em que ficaram sem animais para o sacrifício, e Nahf retomou as suas incursões. Desesperado, o rei daquele território concordou que em oferecer todos os dias uma jovem mulher à sorte aos bandidos, para que aqueles pudessem satisfazer os seus apetites vis.

As semanas e os meses passaram-se, e chegou o dia em que a própria filha do rei, a princesa Alcyone, fosse a escolhida para ser lançada como alimento aos saqueadores. Ela foi atada a um pilar de madeira virada para os pântanos e abandonada à sua triste sorte.
Alguns instantes depois, enquanto Alcyone chorava, ouviu um ruído. Acreditando que a sua última hora tinha chegado, qual não foi a sua surpresa quando descobriu de onde vinha o ruído, não era dos pântanos, mas sim da planície que se estendia atrás de si. Alcyone virou-se e distinguiu um cavaleiro alto, revestido com uma armadura brilhante e uma lança longa, vinha na sua direcção. Quando chegou a ela o cavaleiro saltou da sua montada e rodeou Alcyone, esta distinguiu uma grande cruz vermelha que lhe adornava a camisa branca. A princesa rogou-lhe que ficasse longe dela para se salvar, contudo o cavaleiro recusou e retirou-a do pilar onde fora amarrada. Disse que se chamava Jorge e que dedicava a sua vida ao serviço de Deus e a difundir a Sua palavra entre os Homens. Para Jorge, Nahf era um homem pervertido pela Criatura sem nome, evidenciando os Vícios que o cavaleiro tinha jurado combater e aniquilar com a ajuda das Virtudes ensinadas por Aristóteles e Christos.

De repente, um rugido ressoou através dos pântanos e cem homens vestidos de negro montados sobre cavalos apareceram, avançando em coluna depois de um corpo gigantesco que ondulava entre os charcos de água pútrida. Todos eles usavam armaduras de malha semelhantes a escamas de um verde-oliva, e brandiam as suas espadas como centenas de ganchos de aço prontos a precipitarem-se sobre Jorge e Alcyone. À sua cabeça, um homem atarracado mirava-os com uma expressão furiosa. Jorge nunca tinha visto um homem tão imundo e repugnante, a sua barba desgrenhada engolia a maior parte da sua cara acobreada de onde só os seus olhos injectados de sangue se viam através do seu elmo de couro. Desviou o olhar para se resguardar daquele espectáculo abjecto, contudo a sua vontade para enfrentar os infames salteadores não ficou debilitada. O cavaleiro ergueu a sua lança aos céus, esporou o seu cavalo com força e lançou-se o galope na direcção do "Dragão". Uivos terríveis elevaram-se entre as fileiras opostas e os salteadores lançaram-se contra o guerreiro solitário. Jorge viu-se cercado por um remoinho de olhos incendiados de raiva e lâminas de espadas. Para onde quer que olhasse via saqueadores prontos para cair sobre ele, apesar disso manteve-se firme, enquanto o círculo se fechava à sua volta, esporando a sua montada contra Nahf. Embora soubesse que seria submergido pela maré humana, Jorge mobilizou todas as suas forças e a sua Fé para reerguer o braço e afundar a sua lança no meio do turbilhão de homens e lâminas que se levantavam contra ele. Um grito terrível ressoou, ao qual responderam uivos enlouquecidos. Aterrorizados, os saqueadores fugiram tão repentinamente como tinham surgido, deixando as armas para trás.

Saindo da sua exaltação guerreira, Jorge encontrou Nahf que jazia a seus pés, mortalmente ferido pela lança cravejada na garganta. Jorge atou o líder dos bandidos, enegrecido de tanto pecado como a terra, ao seu cavalo e regressou a Beirute com a princesa Alcyone, arrastando o "Dragão" atrás deles. Foram acolhidos em alvoroço entre as aclamações dos habitantes que por fim estavam livres daquela terrível calamidade. Jorge depositou os restos de Nahf diante do rei que se postrou ante o cavaleiro e jurou que ele e os seus súbditos se converteriam à Fé aristotélica. O herói logo retomou a viagem à Capadócia.



III - O Martírio de Jorge:

Alguns anos mais tarde, o imperador de Roma convocou a Nicomedia todos os governadores das Províncias do Oriente com a finalidade de comunicar-lhes os seus decretos contra os discípulos de Aristóteles e Christos. Jorge sentiu que tinha chegado o momento de confessar a sua fé publicamente, distribuiu os seus bens pelos pobres, libertou os seus escravos e foi até Nicomedia para se render à corte imperial. Apresentou-se perante a assembleia e acusou o imperador de verter injustamente o sangue inocente dos fieis aristotélicos. Atónito, o imperador interrogou-o sobre as suas crenças. Jorge respondeu que acreditava somente no único Deus verdadeiro, aquele que Aristóteles e Christos tinham professado, e que era a sua Fé que o tinha guiado ali sem temor, para criticar o soberano. O imperador, temendo a agitação, propôs-lhe a cobri-lo de honras se este aceitasse o culto imperial. Jorge recusou e respondeu:

    “O teu reino corromper-se-á e desaparecerá rapidamente no nevoeiro lunar, sem proporcionar-te nenhum proveito; mas aqueles que oferecerem um sacrifício de louvor ao Altísimo sentar-se-ão com Ele no Sol por toda a eternidade! "

O imperador ordenou aos seus guardas que matassem Jorge, eles encheram o cavaleiro de golpes. O seu sangue começou a fluir em jorros, mas Jorge recusou-se a renunciar à sua fé. Exausto, o imperador mandou que o atirassem a um cárcere, com uma pedra pesada sobre o peito, contudo no dia seguinte quando o vieram buscar para se apresentar diante do soberano o herói continuou a negar com a mesma firmeza. Ataram-no a uma roda suspensa sobre uma infinidade de instrumentos cortantes e fizeram-na girar. As lâminas feriram-no um milhar de vezes, cortando e mergulhando na sua carne, mas Jorge continuou inflexível superando a dor graças à sua Fé no Amor de Deus. Perante tanta coragem dois soldados ajoelharam-se para confessarem o Aristotelismo, e por isso foram decapitados de imediato. A própria imperatriz declarou-se aristotélica, e também a encerraram no palácio.

O imperador ordenou então que lançassem Jorge a um buraco com cal viva. A cal atacava os seus princípios, queimando atrozmente o seu corpo, os vapores nauseabundos invadiram-lhe o nariz e sufocavam-no sem que todavia negasse a sua fé. A multidão admirada com a sua valentia sem limites aclamou-o e começou a louvar ao Senhor e Seus profetas. Obrigaram-no depois a caminhar com sapatos guarnecidos de agulhas aquecidas no fogo, mas Jorge triunfou de novo graças à sua Fé.

No dia seguinte, o imperador fê-lo comparecer diante do templo de Apolo na presença de uma multidão considerável. Fingindo querer sacrificar em honra da divindade, Jorge entrou no templo e dirigiu-se ao ídolo para se benzer. A mesma essência da acedia habitava naquelas estátuas, mas na presença e às palavras de São Jorge, estas explodiram em pedaços, deixando escapar um odor pútrido que desapareceu com um silvo. Os sacerdotes e os pagãos lançaram-se a Jorge aos gritos e devolveram-no ao palácio. Atraída no tumulto, a imperatriz saiu e atravessou a multidão gritando: "Deus de Jorge, vem a meu auxílio!" E caiu aos pés do Santo. Não podendo conter mais a sua raiva o tirano, cujo coração tinha endurecido depois de tanta impiedade e crueldade, ordenou que os dois fossem decapitados. Contudo, nas vésperas da execução, a imperatriz devolveu tranquilamente a sua alma a Deus na prisão e assim pôde morrer em paz no dia seguinte.

Chegado o dia, Jorge foi até ao lugar da execução, seguido por uma grande multidão. Deu graças a Deus, a Aristóteles e a Christos por todos os seus benefícios e, pediu à assistência em favor de todos aqueles que invocaram, com confiança, a sua intercessão nos séculos vindouros, inclinou o pescoço sob a espada e dirigiu-se ao Sol como prémio da glória eterna. A partir desse momento uma grande luz fez-se sobre o lugar, enquanto a sua alma chegava pouco a pouco à vida eterna e à felicidade que o esperava.

Conforme a recomendação do Santo, o seu servidor levou a sua preciosa relíquia para a sua pátria, Lydda na Palestina, onde inumeráveis milagres se cumpriram na grande igreja que se construiu em sua honra.



Simbologia:

Tradicionalmente é representado a cavalo, geralmente branco, com um dragão aos seus pés, revestido na sua armadura, com uma lança na mão, carregando um escudo e uma bandeira prateada com uma cruz vermelha. A lança e a cruz vermelha sobre fundo prateado são os seus símbolos mais comuns.

O dragão é uma representação de Nahf, o líder do grupo de saqueadores persas que assolou Beirute que Santo Jorge venceu para salvar Alcyone e liberar as habitantes daquela região. Esta imagem encontra a sua origem no mesmo nome de Nahf que significa "serpente" em fenício e que foi apelidado de "o Dragão" pelos habitantes de Beirute devido aos estragos que aquele ali causava e à sua grande crueldade. Pouco a pouco, a importância desta vitória cresceu, em especial depois do martírio de São Jorge, o Dragão é uma alegoria ao Vício, a vitória de Jorge é assim a vitória da Fé sobre o Mal. Uma vitória muito importante e forte não só pelo seu significado, já que trouxe a Luz ao reino de Beirute, que se converteu ao Aristótelicismo graças a Jorge de Lydda.



Festa:

Celebra-se a 23 de Abril.


Relíquias:

O crânio de São Jorge de Lydda (Palestina), ignora-se o destino da sua armadura que foi a sua sorte, assim como a lança com que derrubou Nahf, igualmente perdida.

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Ana Catarina de Monforte
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