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 O Nascimento dos Armoriais (PT)

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AutorMensagem
Ana Catarina de Monforte
Condessa de Ourém
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Mensagens : 517
Data de inscrição : 16/02/2011
Localização : Condado de Ourém

MensagemAssunto: O Nascimento dos Armoriais (PT)   Sex Dez 16, 2011 9:05 pm

Citação :

    Do Nascimento dos Armoriais


    É na primeira metade do século XII que aparecem um pouco por toda a Europa ocidental os armoriais. O código que opera é o brasão de armas. A influência dos armoriais ainda se nota hoje em dia (nas bandeiras nacionais, equipamentos desportivos, sinais de transito...).
    A aparição dos armoriais está ligada em parte à evolução do equipamento militar entre os fins do século XI e meados do século XII e, em segundo plano, com as transformações da sociedade ocidental no rescaldo do primeiro milénio.


    A Evolução do Equipamento Militar

    Devido ao quase total irreconhecimento provocados pelo capuz da cota de malha de ferro e a protecção nasal do capacete, os combatentes ocidentais, a partir de 1080-1120, começam cada vez mais a pintar a superfície plana dos seus escudos com figuras geométricas, animais ou florais, servindo estas como o seu sinal de reconhecimento no desenrolar duma batalha.

    Os Armoriais

    O termo armoriais não pode ser utilizado até ao momento em que o uso dessas mesmas figuras é constante na representação da mesma pessoa e algumas regras simples intervêm na sua representação.

    Os armoriais são o produto da fusão e uma só fórmula dos diferentes elementos e usos emblemáticos anteriores.

    - Nas bandeiras são as cores e suas associações com certas figuras geométricas (peças, partições, estrutura em semeado),
    - Nos selos e moedas provêm várias figuras emblemáticas (animais, plantas, objectos),
    - Os escudos são geralmente de forma triangular do escudo heráldico, o uso de peles (vieiro e arminho) e um certo número de figuras geométricas (bandas, cruzes, chefes, fáscia, borda) herdados da estrutura do mesmo escudo.

    A Datação

    A tapeçaria de Bayeux (feita em 1080 aproximadamente) fornece um sólido "terminus a quo". Do ponto de vista cronológico, três fases parecem suceder-se:
    - A fase da gestação (dos primórdios do século XI aos anos 1120-1130),
    - A fase da aparição (cerca de 1120-1130 até 1160-1170),
    - A fase da difusão (cerca de 1170 até cerca de 1230).


    Os Factos da Sociedade

    A expressão da Identidade

    A nova ordem social feudal ou senhorial exigia ainda um sistema de identidade que possibilitasse a sua identificação: os armoriais e a heráldica.

    A Difusão Social

    Utilizados primeiro por príncipes (duques e condes) e grandes senhores, eles foram gradualmente adoptadas por toda a aristocracia ocidental, depois pelos não-combatentes, não-nobres e por diferentes comunidades e indivíduos: mulheres (desde 1180), cidades (desde os finais do século XII), patrícios e burgueses (cerca de 1220), bispos (cerca de 1220-1230), artesãos (desde 1230-1240), corporações (cerca de 1250), monges e clérigos (cerca de 1260), instituições (finais do século XIII/inícios do século XIV) adoptaram os armoriais. Em nenhum momento, em nenhum país, o porte dos armoriais foi a salvaguarda de uma classe social.

    Figuras e Cores

    Desde a sua aparição, os armoriais compõem-se por dois elementos: as figuras e as cores.

    Desde os inícios da heráldica, o brasão divide-se em seis cores em dois grupos: no primeiro, estão o branco e o amarelo, no segundo estão o vermelho, o preto, o azul e o verde. A regra fundamental proibe a justaposição ou sobreposição de duas cores que pertençam ao mesmo grupo. Esta regra fundamental parece existir desde meados do século XII e relaciona-se com a visibilidade e contraste das cores a longas distâncias, assim como aos simbolismos das cores na época feudal.

    Os primeiros armoriais tinham uma estrutura simples: uma figura de uma cor colocada sobre um campo de outra cor. Como eles foram feitos para serem reconhecidos ao longe, o desenho da figura é esquemático e tudo o que possa ajudar para a sua identificação é sublinhado e exagerado (linhas dos contornos das figuras geométricas, pernas, coroas ou cauda dos animais, folhas ou frutos de árvores). A figura ocupa todo o campo do escudo e as duas cores, vivas e contrastadas, estão associadas à regra enunciada em cima. Desde meados do século XIV que a composição das armas tendeu para se alterar e complicar ao ponto de desfigurar certos armoriais, os sucessivos planos empilharam-se no interior do escudo (cuja leitura deve começar pelo plano de fundo)

    Brisuras e Armas "Falantes"

    A partir dos anos 1189-1200, no seio duma família, um só indivíduo, o mais velho da linhagem, podia portar as armas familiares plenas ou integrais. Os outros não tinham esse direito e deveriam introduzir uma ligeira modificação que mostrasse que eles não eram os "chefes de armas", isto é, que não eram os mais velhos da sua linhagem. Essa modificação chama-se brisura. As mulheres não estavam sujeitas a tal dever.

    Desde o fim do século XII, a maioria dos armoriais mantinha uma estreita relação com as famílias e apelidos, especialmente se eles permitissem um jogo de palavras ou estabelecessem uma relação de sonoridade com o possuidor dos armoriais: estas são as armas "falantes" (ex.: José de Cabral carregaria nas armas uma cabra).

    A língua do brasão

    Desde a sua origem, a língua utilizada para descrever os armoriais é a língua vernacular e não o latim, provavelmente porque a Igreja foi inteiramente alheia ao nascimento destes novos emblemas. Eles foram primeiramente descritos como uma língua "non savante", mas à medida que se foi difundindo tornou-se mais específica. Esta língua apoia-se num léxico especifico, emprestado em grande parte pela linguagem dos têxteis e vestuário mas também pela linguagem guerreira - para as partições - e uma sintaxe original para descrever concisamente todos os armoriais. Enquanto que um brasonamento em latim requeria seis ou sete linhas, em francês [língua original deste texto] necessitaria apenas de duas ou três linhas.

    Do Escudo ao Timbre

    O escudo é o elemento essencial da composição heráldica: é ele que carrega as armas "stricto sensu". No entanto, ao longo das décadas, vieram a acrescentar-se elementos acessórios, cujo timbre é o elemento mais antigo e significativo.

    O timbre heráldico aparece na segunda metade do século XII. O timbre mantém de facto relações com a mitologia do largo parentesco, horizontal, de clã ou totem.

    Os primeiros timbres heráldicos parecem ter sido os emblemas individuais, que mascaravam os cavaleiros de justas e simbolicamente os investiam de poderes físicos, emocionais e sobrenaturais. Então eles tornaram-se símbolos de grandes famílias no século XIII no Sacro Império Romano Germânico e no século XIV em França, por exemplo todos os Capetianos desde Robert o Piedoso (falecido em 1032) utilizaram como timbre uma flor-de-lis quadrada, o emblema de clã.

    Nas famílias nobres eram adoptados muitas vezes pelos mais novos (cadetes de ramos jovens, bastardos) que estavam mais comprometidos com o timbre da sua família, e que lhes permitia compensar a modéstia da sua linhagem. Assim, o porte de um timbre com o cisne, escolhido nos séculos XIV e XV por numerosas pessoas em toda a Europa cristã, está ligado com uma linhagem prestigiada, como os condes de Borgonha, descendentes do lendário cavaleiro do cisne, suposto avô de Godofredo de Bulhão, falecido no ano mil, aproximadamente, ou os Montfort, com o duque Juan IV da Bretanha.

    O timbre medieval é ainda o emblema em que estão envolvidas todas as histórias ligadas à família.

    _________
    Traduzido do francês por Ana Catarina de Monforte

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