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 Santa de Ourém -> Pendente

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Ana Catarina de Monforte
Condessa de Ourém
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Mensagens : 517
Data de inscrição : 16/02/2011
Localização : Condado de Ourém

MensagemAssunto: Santa de Ourém -> Pendente   Ter Jun 28, 2011 12:01 am

Lenda da Moura Oureana

Citação :
    OUREANA, MOURA AMADA

    - por Rosalina Melro -

    Corria o ano de 1136. Num dos seus ousados e bem sucedidos fossados, D.
    Afonso Henriques arrebatava a fortaleza de Abdegas, atalaia mourisca
    alcandorada em elevado morro, num lugar de difícil acesso que travava o
    avanço dos Cristãos para a linha do Tejo.

    Entre os intrépidos guerreiros das hostes do Conquistador encontrava-se o
    lendário Traga-Mouros, filho de Hermígio Gonçalves, companheiro de
    Afonso Henriques desde a meninice nas terras galegas do Condado
    Portucalense. É dos amores desse temível guerreiro que hoje iremos falar.
    Mais uma lenda apenas. Uma das muitas versões que correm na vila velha de
    Ourém. Lenda que imortaliza a mais amada de todas as mouras, a doce
    Fátima, baptizada Oureana pelos cristãos, a bela filha de Abu Déniz, capitão
    da fortaleza de Alcácer do Sal, nas terras de mar e sol que se alongam para
    o Sul, a Ocidente do antigo Garbe.

    Creio não errar se disser que de todas as lendas reunidas por Almeida
    Garrett, a mais poética e, também, a mais dramática é esta Lenda de
    Ourém, onde se conta a história de um amor que se prolonga para além da
    morte, pois reúne, na mesma campa aberta em terra sagrada do adro da
    igreja do Castelo de Ourém, os corpos de Oureana e de Gonçalo Hermigues,
    o Traga-Mouros. Mas comecemos a Lenda tal como a ouvimos nas terras que
    foram de D. Teresa, infanta de Portugal.

    O galã da "Lenda de Oureana" é dotado de superiores talentos, posto que é
    o primeiro de todos os belos Trovadores que iniciam as cantigas em Língua
    Galega com o novo modo de trobar trazido pelos Cruzados que, dos
    longínquos castelos da doce Bretanha, tinham vindo auxiliar nas lutas contra
    os Mouros nos tempos da reconquista. A sua voz melodiosa, a sua arte
    sublime de poeta, a sua sensibilidade ao dedilhar o alaúde, eram um poder
    mágico que abria ao guerreiro-trovador as portas de todos os castelos
    cristãos da Galiza até Coimbra.

    Os Mouros tinham esfacelado o seu valente pai, apelidado de Lutador,
    durante aquela sangrenta Batalha de Ourique, num golpe de traição. Chorou-
    o como D. Afonso Henriques que, logo em seguida, auxiliado por poderes

    divinais, degolou cinco reis mouros e desbaratou o poderoso exército da
    moirama. Gonçalo Hermigues substitui, então, no lugar de valido do rei, o seu
    nobre pai. Recebe a honra de governar o Castelo de Abdegas acompanhado
    de um valente punhado de nobre guerreiros, todos jovens e bem treinados
    nas duras lutas contra o infiel.

    Numa noite de S. João, os moços cavaleiros entretinham-se em jogos de
    lanças, quando um dos mais ousados propôs um treino mais proveitoso nessa
    noite de amores e de folgança para cristão e para mouros. Em breve,
    cavalgavam nos areais, batidos por mansas ondas. Embarcam no batel dos
    cruzados, ancorado junto à praia. Rompia a madrugada, de um S. João
    exaltante, quando o batel chegou à foz do Mira. Atracaram, em silêncio,
    frente aos campos floridos de Alcácer.

    Subitamente, vindo do lado do Alcazar, o vozear pipilante de um bando de
    formosas e jovens mulheres. Destacando-se de todas as outras, a mais
    garbosa era Fátima, a filha dilecta do governador do castelo. Sobre ela
    tombaram os olhos de Gonçalo Hermigues. Por ela ficou enfeitiçado o Traga-
    Mouros. Logo, esquecidos os perigos, ele improvisa uma trova sublime. Desse
    momento se acham vestígios nos Cancioneiros Medievais.

    Sem temor, a doce Fátima corria para os braços do Trovador. Tomados de
    êxtase, cada um dos cavaleiros arrebata uma moirinha. No ar perfumado de
    giesta e rosmaninho, ouviam-se as trovas, que haveriam de dar o nome a
    Oureana:

    Oureana! Oureana! Oh! Tem por certo
    Que esta vida, de viver,
    Toda a vida se olvidou naquele aperto.
    E o que em troco eu vim a haver
    Não há mais para se ver.

    Ora vos tenho, ora não
    E um a um eles que chegarão
    Já me apanhaste e já não...
    D'aqui largam e d'ali pegam,
    que anda tudo ao repelão

    Por mil golvos retoiçando
    Ai, ai, que vos avistei!...
    Já sei por que ando lidando,
    Que em tais terras bem pensei
    Melhor fruto não verei.

    Entretanto, aproximava-se uma chusma de mouros, bem armados de
    alfanges e adagas reluzentes. Corriam a salvar as suas irmãs e noivas. Então,
    o corajoso Gonçalo Hermigues deitou o corpo de Fátima, que entretanto
    desmaiara, sobre uma pequena duna e ordenou aos companheiros que fossem
    para o batel e o aguardassem. Sozinho, fez frente aos aguerridos
    sarracenos e, num repente, tomava a amada contra o seu peito e entrava no
    batel salvador.

    Alguns dias mais tarde, pela lua cheia de Agosto, grande festa anima a sua
    herdade, cerca do Castelo de Abdegas. Música e danças e muitos folguedos
    celebram a alegria da conversão da bela moura. Nesse dia, fora celebrado o
    baptizado e logo em seguida o casamento cristão da filha de Abu Déniz que
    tomara o nome de Oureana. Tanta fama teve a sua beleza e a força do seu
    amor que o povo trocou o nome de Abdegas pelo de Ourém.

    Mas o drama da manhã de S. João ferira de morte o coração dividido de
    Oureana. Saudades da família e das terras do Sul entristeciam-lhe a alma e
    roubavam-lhe o alento. Numa manhã cinzenta de Abril, começavam a florir
    as rosas brancas no jardim do Castelo, Oureana caía morta no caminho pare
    a igreja. Inconsolável, o Traga-Mouros encerra a sua dor e a sua juventude
    na branca cela de um Convento. Diz-se que todas as manhãs, quando o sol
    nascia, ele vinha rezar junto da campa da sua amada, com uma rosa branca
    entre as mãos que nunca mais dedilharam as cordas do alaúde. E, porque de
    amor também se morre, foi sobre a campa de Oureana que, num triste dia
    de Novembro, abandonou esta vida de paixões.

    Os dois ficaram, para sempre, unidos nesse pedaço da terra de Ourém.
    Terra de ligações profundas entre os homens e os deuses. Terra de fé e de
    elevados ideais, cultivados de geração em geração, pelos seus filhos,
    descendentes de Gonçalo Hermigues, o Traga-Mouros.

    Suplemento Cultural de “O Mirante" de 3/9/97

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Última edição por Ana Catarina de Monforte em Qua Fev 29, 2012 2:27 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Santa de Ourém -> Pendente   Ter Jun 28, 2011 12:10 am

Santa Teresa de Ourém

Citação :
    Santa Teresa de Ourém: A Primeira Santa Ouriense + 1239 ?
    Santa Teresa nasceu no Zambujal por volta de 1220, segundo documentação ainda existente, e a quem foi atribuídos diversos milagres e faleceu com apenas 19 anos de idade.Consta que , na torre do Castelo,ao Sul, a qual dá entrada para o recinto, mandou D.João, prior da Freguesia de Santa Maria, construir uma casinha, para a criada do clero, Santa Teresa se entregar ás suas orações e penitência, em recolhimento.
    São conhecidos alguns milagres atribuídos a esta Santa (talvez lendas). Um certo domingo, o Padre mandou-a cozer o pão visto ser padeira de profissão, tarefa essa que a impediria de ir á missa que ela tanto desejava participar, qual não foi o espanto do padre, que viu uma multidão de anjos apressando a cozedura, para que a jovem pudesse participar na Eucaristia.
    Outro Milagre relatado pelos Cónegos revelava que certo dia, Santa Teresa, ficou em casa a cozer pão mas foi vista pelo padre na Missa, ao mesmo tempo que estava nas prisões,(que estavam fechadas à chave), a cuidar dos presos e a ensinar a doutrina visto ter o dom ou poder da bilocação isto é estar em dois lugares ao mesmo tempo.
    Não tinha chave e por isso diziam as pessoas que passava, por acção divina, pela fechadura. Por esta razão a sua imagem é de a muito tempo representada por uma mulher de cabeça tapada, com a fechadura da prisão em forma de crucifixo numa mão e um livro dos evangelhos na outra.
    Extracto do livro"Quadros da História de Ourém"
    Autor: Carlos Evaristo

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